Vídeo-Laparoscopia

Remonta a idade antiga o interesse médico pela observação do interior do corpo humano. Até o século XX, a propedêutica se baseava apenas no exame físico. O médico poderia observar o interior do corpo humano apenas pelos seus orifícios naturais. A Endoscopia então nasceu com a ginecologia, pois a vagina foi o primeiro orifício a ser examinado através do uso de um espéculo. A partir do século XIX, diferentes autores desenvolveram criativas formas de visualização da uretra, bexiga e útero. Entretanto, foi apenas no início do século XX que, através da adaptação dos avanços tecnológicos, foi possível o acesso ao interior da cavidade abdominal com instrumentos óticos, inicialmente pelo fundo de saco vaginal e posteriormente pela parede abdominal anterior. A Laparoscopia evoluiu significativamente ao longo do século tornando-se método diagnóstico importante em especial na Ginecologia. Mais uma vez, a evolução tecnológica propiciou o desenvolvimento de equipamentos que por sua vez expandiram as possibilidades da técnica que passou de diagnóstica à terapêutica. A grande explosão do método ocorreu a partir do final da década de 80 através do desenvolvimento das Micro-Câmeras e seu acoplamento a ótica laparoscópica. Em 1987, o Dr. Philippe Mouret, de Lyon na França realizou com sucesso a primeira colecistectomia (retirada de vesícula biliar) por esta técnica. Estabeleceu-se então as condições que propiciaram o surgimento da Cirurgia Vídeo-Laparoscópica e sua rápida e espetacular expansão, caracterizando talvez o maior avanço da cirurgia deste século.

O advento da Cirurgia Videolaparoscópica tem alcance não apenas na Cirurgia Geral e do Aparelho Digestivo, como também nas demais especialidades cirúrgicas. O desenvolvimento tecnológico com repercussão na qualidade e variedade cada vez maior dos equipamentos e instrumentais e o desenvolvimento técnico dos cirurgiões determinaram uma evolução muita rápida do método, o qual se tornou altamente especializado.